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2/06/2012

Que Deus nos proteja do amor

Revirando o acervo de textos de Luiz Pondé para a Folha, encontrei esta pérola. Que Deus nos livre!

Seguindo o rastro da filosofia escandinava da angústia, deixando a Dinamarca e indo em direção à Suécia, encontro a atmosfera do grande cineasta Ingmar Bergman (1918-2007) em sua ilha de Faro.

Paisagem desolada e fria, cenário de alguns dos seus grandes filmes, Faro é o mundo ideal para a geografia bergmaniana da alma, geografia esta que fala das experiências do abandono, do amor traído, da tortura causada por um Deus silencioso, e do pavor do nada que nos habita dissolvendo nossas esperanças.

Entre os seus filmes rodados em Faro, um -para o qual ele "apenas" fez o roteiro e Liv Ullmann, uma de suas esposas e maiores atrizes, dirigiu- é excepcionalmente contundente. "Infiel", feito em 2000, é uma pérola da tradição dos filmes sobre o amor que devasta a vida com a força de uma tempestade vulcânica.

A estética bergmaniana da devastação da alma pelo afeto se realiza no filme não só pela presença de sua repetida insistência em expor nossos maiores demônios mas também pela delicadeza no tratamento de um desses demônios, a paixão imprevista, que assola nossa vida e a destrói, esmagando-a sob o peso da irresistível beleza do amor romântico.

Marianne é uma bela atriz, casada com o bem-sucedido maestro Markus. O casamento deles é muito feliz, com amor, uma filha linda e doce, e sexo em abundância, dados importantes para excluirmos o senso comum que crê que a infidelidade por paixão só assola casamentos já arruinados.

Se assim fosse, casais que se amam estariam a salvo, e a infidelidade por paixão romântica não seria uma tragédia, mas sim uma ciência matemática e, portanto, previsível.

O terceiro elemento é David (o amante), diretor de teatro, amigo íntimo do casal, que carrega elementos autobiográficos do próprio Bergman (sua crueldade com as mulheres, seu caráter furioso, sua insegurança afetiva, sua tendência autodestrutiva).

O triângulo repete a "receita" medieval clássica de destruição da vida pela paixão amorosa: a mulher que se apaixona perdidamente pelo melhor amigo do marido.

Tudo começa por acaso. Marianne e David se viam como irmãos. Uma noite, dormindo na mesma cama, já que se viam como irmãos (não vou entrar em detalhes de por que dormem nessa ocasião na mesma cama), Marianne desperta no meio da noite e "o vê pela primeira vez", enquanto ele dorme.

Na sequência, eles se encontram numa galeria de arte, e num beijo impulsivo, a vida deles, do amigo e marido dela, Markus, e da pequena filha, Isabella, mergulha no abismo. A cegueira é de fato a melhor metáfora sensorial para o amor que os enlaçará num destino impiedoso, mas belo.

Como diz o maravilhoso escritor francês Bernanos, "o acaso é feito à nossa semelhança". O sentido dado pelos medievais à paixão romântica é exatamente este: uma doença que nos acomete ao acaso e nos deixa obcecado pela beleza do ser amado, levando-nos à destruição.

A paixão se impõe por sua própria natureza deliciosa e por isso mesmo impiedosa, e não porque ela signifique algo além de si mesma. Quem busca na doença do amor algo além dele mesmo vaga por uma casa vazia. O roteiro de Bergman e a direção de Liv Ullmann capturam exatamente essa falta de sentido da paixão romântica, a não ser a própria escravidão maravilhosa a ela.

Marianne, contra si mesma, perde o controle da própria vida e arrasta consigo "um mundo inteiro".

Sua vida, antes bela e bem disposta entre os elementos que ordenam o cotidiano (amor, sexo, trabalho feliz e bem-sucedido, bens materiais abundantes, mas não excessivos, desenhando o equilíbrio entre desejos e necessidades visíveis), é destroçada contra sua crescente dependência da presença física de David em seu cotidiano, dissolvendo a ordem bela que dispunha sua vida para a felicidade e harmonia entre seus desejos e necessidades invisíveis.

Quanto maior o amor, maior a indiferença para com suas vítimas. Num momento de grande agonia, descrevendo o que sente, Marianne diz que "David cresce dentro dela e de sua vida como um tumor que tudo invade".

Que Deus nos proteja do amor.

7/14/2011

Caipirinhas


DSC02679, upload feito originalmente por aianafreitas.

6/27/2011

Amor acaba antes da 'crise dos sete anos', dizem estudos

GUILHERME GENESTRETI - DE SÃO PAULO

Quanto tempo passa entre a troca encantada de olhares e o momento que você repara nos defeitos do seu amor? Para o senso comum, a prova de fogo vem na "crise dos sete anos". Uma expressão popular nos Estados Unidos diz que após esse tempo, a coceirinha, a "seven year itch", começa a incomodar o casal.

Já um psicólogo evolucionista chutaria que o prazo de validade do amor gira em torno de quatro anos -o suficiente para que o homem ajude a mulher a cuidar da criança, até que essa esteja apta a seguir por conta própria na tribo nômade.

Mas um levantamento feito em cerca de 10 mil residências nos EUA pela Universidade de Wisconsin encontrou um tempo de duração ainda menor do amor: três anos.

É o mesmo tempo apontado em estudo patrocinado pelo estúdio Warner Brothers, feito com 2.000 adultos no Reino Unido. Foram comparados casais em relações curtas (menos de três anos) e longas (mais de três). No primeiro grupo, 52% afirmaram gostar das relações sexuais. No segundo, apenas 16%.

É claro que, nesses estudos, amor e paixão foram considerados sinônimos.

"Paixão eterna só existe na ficção", afirma o psicólogo Bernardo Jablonksi, autor de "Até Que a Vida Nos Separe: A Crise do Casamento Contemporâneo" (Ed. Agir).

"Na paixão você sofre, para de comer, não dorme. Não tem como durar muito", afirma o autor, que já passou por diversas separações.

O psiquiatra Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria de São Paulo, acha que as pessoas deveriam dizer "eu te amo agora", porque dizer "eu te amo muito" dá a ideia de que o compromisso não vai acabar.

O psicólogo Aílton Amélio concorda. "Amor pode terminar em um dia, porque ele depende dos fatos para ser nutrido. É como andar de motocicleta: se parar, cai", compara o psicólogo.

Há quatro anos, a carioca Beatriz Piffer, 27, namorava, mas conheceu um rapaz numa festa. Passaram a noite conversando, ele contou que era cineasta, ela disse que cursava filosofia.

Apesar da atração mútua, não trocaram telefones. E também não perguntaram o sobrenome um do outro.

"Fui para casa triste, pensando que nunca mais ia vê-lo. Passei os oito meses seguintes à procura dele".

Viveu dias de detetive amadora: rememorou os detalhes da conversa, montou pastas no computador para juntar pistas até descobrir o e-mail dele. Aí forjou um encontro casual. Deu certo: começaram a namorar já no dia do reencontro.

"Eu tinha a certeza de que tinha encontrado o homem da minha vida. Ele achou que era coisa do destino".

O namoro terminou quatro anos depois. "Ele viajava muito", diz Beatriz.

Hoje eles ainda saem, mas para tomar café juntos.

"O amor não acabou, só a relação é que mudou. O modelo que todo mundo espera não existe."


OUTRA COISA

A atuária Luiza Ferreira, 28, de Brasília, trabalha com números, mas não sabe quantificar quanto dura o amor. Só sabe que o sentimento é passageiro. "Meus pais se separaram quando eu era pequena", explica.

Seu namoro mais curto, lembra, durou um ano, e o mais longo, cinco.

"Tem muito casal que vive junto, mas sem amor, só pelo carinho. Com o tempo, amor vira outra coisa."

O supervisor mecânico Fernando Vicente, 50, e a professora Sílvia, 45, estão casados há 26 anos. Dizem nunca ter passado por uma crise.

"Se ela não é minha alma gêmea, é a mais próxima disso", diz Vicente. Mais da metade dos amigos deles já se separaram, acrescenta.

MONOGAMIA SERIADA

O cineasta Roberto Moreira, 50, diz que o amor pode ser eterno, "mas a probabilidade é pequena."

Para ele, relacionamento que dure mais de dez anos é um "sucesso".

Moreira lançou em 2009 o filme "Quanto Dura o Amor?", que narra a busca melancólica de uma atriz, uma advogada e um escritor por um amor que dure.

"Talvez o melhor título fosse 'Quanto Dura a Paixão?', porque o amor só vem quando o outro deixa de ser uma projeção sua", afirma.

No filme, os amores são tão efêmeros quanto as relações na cidade. "O final é pessimista, mas mostra que muitas pessoas podem crescer com o amor", diz Moreira.

Professora de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais e autora de "Reinvenções do Vínculo Amoroso" (Ed. UFMG), Marlise Matos não despreza a dimensão biológica --e mais efêmera-- do amor. Mas se concentra na dimensão que é pura construção social. "O amor pós-moderno é a possibilidade de dissolução."

O psicanalista Francisco Daudt, colunista da Folha, diz que vivemos um tempo de "monogamia seriada".

"É poligamia disfarçada. Cumprimos o papel de polígamos, mas com uma pessoa de cada vez."

Ele tem perguntado a seus pacientes se se imaginam casados com a mesma pessoa daqui a 20 anos.

"A negativa é frequente. Estamos menos hipócritas."

6/22/2011

Verbum Testimonii: TRISTEZA

Verbum Testimonii: TRISTEZA: "“Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”. (Eclesiastes 7:3) Sempre quis entender melhor es..."

6/16/2011

Por que acaba um casal? - CONTARDO CALLIGARIS

Nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como se fosse uma "tumba do amor"
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NO DOMINGO passado, Dia dos Namorados, um amigo mandou flores para sua mulher com este bilhete: "Posso ser seu namorado ou continuo sendo apenas seu marido?".
A frase foi bem recebida. É que, para nós, "namorado e namorada" pode ser muito mais do que "marido e mulher". Em regra, nossa cultura romanceia o namoro, mas imagina o casamento como uma tragicômica "tumba do amor".

Na última sexta, na Academia de Ideias de Belo Horizonte, durante um bate-papo com João Gabriel de Lima sobre meu último livro, ao falar de amor e casais, eu propus o seguinte: 1) todos tendemos a amarelar diante de nosso próprio desejo; 2) o casamento nos permite acusar alguém de nossa própria covardia -assim: eu quero fazer isso ou aquilo, mas tenho preguiça e medo; por sorte, agora que me casei, posso dizer que desisto porque assim quer minha parceira; 3) um casal, para valer a pena, não deveria servir para justificar as desistências de nenhum de seus membros; ao contrário, ele deveria potencializar os sonhos e os desejos de cada um dos dois.
Uma mulher me lembrou, com razão, que até esse tal casal que vale a pena pode acabar. E perguntou: por quê?

Existe uma sabedoria popular resignada sobre a duração de um casal. Os sentimentos do namoro viveriam, no casamento, uma decadência progressiva inelutável. E os casais continuariam unidos mais por inércia do que por gosto.

Alguns dizem que a rotina e a proximidade desgastam os sentimentos. Ou seja, o apaixonamento sempre é fruto de alguma idealização, e de perto ninguém parece ideal por muito tempo. Será que o remédio seria manter a distância para não enxergar as falhas do outro?

Respondo: amar não significa não enxergar os defeitos do outro, mas achar graça neles. Uma amiga perde um celular por semana; ela sabe que uma relação amorosa está acabando no dia em que seu homem, em vez de achar graça na sua desatenção, irrita-se com seu descuido.

Outros acusam o tédio. A novidade (valor mor da modernidade industrial) seria o ingrediente essencial (e, por definição, efêmero) do casal feliz. Ou seja, felizes são só os recém-casados.

Respondo: todos nós, neuróticos, amamos a repetição e a praticamos com afinco. A rotina, portanto, não deveria nos afastar do amor.

Volto, portanto, à pergunta: por que um casal acaba? Levantei a questão no Twitter, e @M_Angela_ Jesus me escreveu que, segundo Anaïs Nin, os casais não morrem nunca de morte natural, mas por falta de cuidados, de atenções e de esforços.

A citação me levou a pensar nos meus próprios casamentos fracassados; não cheguei a resultado algum, salvo o fato de que não deveríamos chamar necessariamente de fracasso um amor que acaba; erigir a duração em valor é uma ideia perigosa, que pode transformar separações bem-vindas e necessárias em processos laboriosos e infinitos.
No meio dessas reflexões, no domingo, fui assistir a "Namorados para Sempre", de Derek Cianfrance, que me tocou fundo, por ser justamente a história de um amor que não é mais possível. Isso, sem que os protagonistas consigam saber por que "não dá mais": nenhum deles é o vilão da crise, e nenhum deles é capaz de dizer o que está errado e deveria mudar para que o casal tivesse uma chance.

A julgar pela idade aparente da filha, o casal do filme dura há mais ou menos cinco anos. Em cinco anos, os namorados que, no primeiro encontro, haviam dançado e cantado na rua, cheios de alegria e de encantamento, transformaram-se num casal de estranhos que se encaram antes de se enxergar.

O que aconteceu? Não há resposta. Essa é a força do filme, que acua cada espectador a se perguntar o que foi que aconteceu a cada vez que ele ou ela amou, e o amor se perdeu.

Não é preciso que haja discordância brutal, traição ou desamor para que um casal se perca. Claro, é sempre possível racionalizar e apontar causas: no caso do filme, ao longo dos cinco anos, talvez ela tenha "crescido" profissionalmente (como se diz) e alimente agora ambições que ele não pode compartilhar porque, para ele, o casamento e a filha continuam sendo as únicas coisas que importam. Pode ser.

Mas talvez o fim de um amor seja um fenômeno tão misterioso quanto o apaixonamento. Talvez existam duas mágicas opostas, igualmente incontroláveis, uma que faz e outra que desfaz.

5/17/2011

O sentido da vida

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Tentamos dar um significado diferente à nossa existência do que é ditado pela natureza humana
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Do ponto de vista da mãe natureza, já nascemos com o sentido da vida, embutido em nossos softwares cerebrais, completamente pronto.
Dizem os genes masculinos aos seus portadores: "Procrie com o maior número de mulheres possível, escolhendo as mais belas, dóceis, inteligentes e atenciosas com as crias.

Dê alguma atenção e ajuda a elas para que suas crias não sejam prejudicadas, mas nada que o impeça de partir para a próxima.

De preferência, tenha um harém bem cuidado por eunucos (você não vai querer criar filhos de outros, claro) e vá incorporando novas mulheres pelos mesmos critérios.
Para isso, você precisa se preparar: torne-se belo, forte, alto, inteligente, mas, sobretudo, rico e poderoso. Lidere guerras que possam tomar do inimigo suas posses e mulheres, pois isso o enriquecerá e encherá seu harém (um sultão do século 19 teve 840 filhos, um exemplo de homem comandado por seus genes).

Se a política do país o obrigar à monogamia, drible-a sendo um polígamo seriado: você tem dinheiro para sustentar oito ex-esposas e suas crias e você tem tempo para isso, já que os homens não envelhecem.

Podem seguir acumulando dinheiro e poder e são férteis até a morte".

Dizem os genes femininos às suas portadoras: "Procrie o mais que puder com os homens mais belos, fortes, inteligentes, agressivos, mas, sobretudo, ricos e poderosos. Se possível, case-se com um deles e cuide para que ele a prestigie e dê garantias de provimento para você e suas crias, pelo maior tempo possível.

Se você não conseguir um 'topo de linha', pode se casar com um 'mais ou menos': você pode se oferecer e procriar com o patrão dele, sem que ele saiba, e colher genes poderosos para suas crias, desde que a aparência delas não seja testemunha da sua traição. Prepare-se: comece cedo. Você não tem muito tempo, e juventude é seu maior cacife.

Procure ser bela e parecer recatada: isso aumenta seu preço de compra e ilude o homem com presumida fidelidade. Não conseguindo ser bela, você pode ser oferecida, mas procure parecer bela, usando todos os expedientes ao seu alcance.

O mesmo vale para a juventude (velhas nunca foram símbolos sexuais). Malhação, plástica e pintar cabelos servem para isso. Cuide das crias. São raros os homens que se preocupam com isso".

É, a natureza é cínica e cruel para atingir seus objetivos. A ponto de os biólogos dizerem que a galinha é uma máquina inventada pelo ovo para fazer outros ovos.
Mas nós somos um bicho que pensa, que deseja ética, que filosofa e que, portanto, busca um sentido na vida diferente daquele dos genes.

Isso resultou em inúmeros "sentidos da vida" criados por nós. Mas meu objetivo era falar do que ninguém fala: da natureza humana, essa força poderosa que carregamos sem saber.

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FRANCISCO DAUDT

1/13/2011

Nem marido, nem namorado

Apesar de tantas mudanças, ainda faltam bons nomes para definir os novos formatos de relacionamento amoroso

MUITAS mulheres dizem que não sabem como definir o homem com quem estão tendo uma relação afetiva e sexual.

Algumas moram junto, mas não são casadas legalmente. Outras moram sozinhas, mas têm um compromisso estável. Outras ainda moram no mesmo apartamento, mas cada um tem seu quarto, banheiro, computador, telefone, televisão etc.

Elas dizem que não gostam de chamá-los de "marido", porque indicaria um nível de compromisso que não assumiram. Acham a palavra "namorado" pior ainda, consideram esquisito dizer que estão namorando depois de certa idade. "Namorido" (mistura de namorado e marido) dizem, é ridículo, apesar de o termo estar na moda em alguns meios.

Uma psicóloga de 47 anos diz: "Estou com uma pessoa há mais de dez anos. Eu acho estranho dizer que é meu "marido", porque não moramos juntos. "Namorado" é coisa para adolescente. "Companheiro" parece que sou do Partido Comunista. "Parceiro" parece que ele é meu sócio num negócio. Ele diz para todo mundo: esta é a minha mulher. Adoraria fazer como ele e dizer, apenas, 'este é o meu homem'".

Apesar de décadas de mudanças nas relações de gênero, nas famílias e nos casamentos, não foi inventado um bom nome para definir os homens e as mulheres que vivem novas conjugalidades.

O fato de não existir um nome indica que essas relações não são plenamente reconhecidas socialmente. Daí a necessidade de homens e mulheres usarem velhas definições, talvez como forma de tornar os novos arranjos conjugais mais legítimos, reconhecidos ou seguros.

Trata-se de um problema de classificação. Não conseguimos nomear adequadamente novas formas de compromisso amoroso sem recorrer a categorias anacrônicas, que estão muito longe de serem adequadas.

Uma antropóloga de 50 anos diz que o Facebook está mais antenado com os relacionamentos atuais. "Lá tem como opções: solteira, em um relacionamento sério, em um noivado, casada, em um relacionamento enrolado, amizade colorida, viúva, separada, divorciada. Eu me classifico como tendo um relacionamento sério. Mas na vida real como posso apresentá-lo aos meus amigos? Este é fulano, o meu relacionamento sério?"

Caros leitores e leitoras, alguma sugestão? Enviem suas ideias para o meu e-mail e, quem sabe, conseguimos descobrir uma definição mais satisfatória para as novas formas de conjugalidade. Mas, por favor, nada de namorido!

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MIRIAN GOLDENBERG, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "Intimidade" (Record)